segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

I

Um olho castanho esverdeado abriu-se timidamente quando a luz do dia tocou-lhe. Depressa se arrependeu e voltou a fechar-se e da boca escapou um suspiro. A mão de uma extrema palidez tocou no rosto passando-a preguiçosamente. Sentia os meus olhos inchados, mais uma noite mal passada, não vejo a hora de voltar a saber o que é dormir mais de seis horas seguidas e sem ter de acordar para trabalhar ou por não conseguir mesmo dormir mais. Mas esta noite tinha sido diferente, diferente porque parece que voltei atrás no tempo para mais ou menos dois meses atrás. Fui assaltada por memórias que pensei que já tinha trancado no fundo mais negro da minha mente. Memórias que ainda me lembro bem, tão bem quanto se fosse ontem. Porque será que me lembro tão bem?

Não sei, apenas sei que foi importante.
Dói-me os olhos, dói-me a cabeça, dói-me a barriga.

Virei-me na cama abrindo agora os olhos olhando para a parede verde despida. Eu costumo ser tão forte, ou pelo menos sempre pensei que sim. Não é por ele que eu choro e sim pelas memórias que eu tenho e que insistem em ficar. Em termos de comparação, eu nem consigo descrever como as coisas são diferentes. Acredito que devo ter hibernado durante alguns meses e quando acordei reparei que tinha caído e partido outra vez a cabeça. Well, shit happens.

Atirei os cobertores para longe e levantei-me, não fazia mais sentido estar ali deitada. Não quero pensar mais nisso.

Não sei, ao olhar para este espelho reparo que provavelmente as pessoas nem sempre avaliam-me pelo o que realmente eu sou. Aliás, avaliam mas avaliam mal, precipitam-se nas conclusões e não voltam atrás para confirmar se estão realmente certos. E não importa se estão ou não certos, não importa porque isso muitas vezes não muda o que as pessoas farão a seguir. Ou será que mudaria? Será que mudaria para melhor?

Muito sinceramente não quero saber.
Apenas fico triste quando tudo o que eu planeio dá mal.

E eu não planeio nada do que se está a acontecer agora à minha volta e eu sei que muitas pessoas estão a ser magoadas por mim. Lamento, não é mesmo a minha intenção. Estou tão fechada na minha carapaça, no meu mundo, em mim que eu não consigo olhar mais nada em volta. Peço desculpa pelo egoísmo, mas não é pela mesma razão de antes. Apenas preciso de fechar-me um pouco para me sentir bem, eu oiço promessas que ninguém me vai magoar.

Eu acredito.

Mas eu preciso de estar na minha zona protegida porque lá bem no fundo eu sou como um caranguejo. Até há bem pouco tempo estava sem carapaça desprotegida, e agora que encontrei outra carapaça preciso de me adaptar e passar um pouco de tempo dentro dela.

Calcei os meus sapatos e saí de casa, tinha perdido a noção das horas e sinto que mais uma vez a minha cabeça vai explodir. Lá vou eu com o meu mau humor característico, um meio sorriso e as respostas irónicas e brincalhonas e acima de tudo a minha maneira algo distante de reagir. Esta sou eu, esta sou eu no meu mundo. Depois das chamas apagarem-se e das velas estarem gastas, esta sou eu reconstruída.

E apesar de muitas vezes não parecer, eu gosto de como sou, gosto de como estou.
Mais um dia de trabalho.

sábado, 7 de Novembro de 2009

dramatismo é uma coisa do passado,

Confia os teus amores e desamores às paredes que te rodeiam. Grita as tuas felicidades e mágoas, revela uma parte ou vinte de ti. Esconde-te. Torna-te uma pessoa melhor, reconhece os teus erros. Luta quando estás certa e pelos teus sonhos.

Não te deixes ir abaixo por pessoas que não interessam.
Reconhece que a perfeição é inatingível.

Deixa a tua vida ser o teu sonho,
Integridade, Humildade, Sinceridade.
Nunca é demasiado tarde.

O passado ficou para trás.
O meu coração pode não ser grande o suficiente para o perdão, mas a vida não pára.

Quero que saibas que a chuva que cairá nesta terra, e os trovões que soarão serão as lágrimas e a raiva que eu um dia chorei e senti por ti.
Passado.

Sê feliz da tua maneira, que eu farei para ser da minha.

Abracei-me e decidi nunca mais largar-me. Não sou perfeita e estou longe de o ser, mas eu não quero perder o que eu aprendi, não quero perder aquilo que sou, não quero perder nem um pouco da minha vida.

Consegui, eu consegui!

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Obrigada. Muito obrigada.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

comparação.

Da verdade tiramos a mentira e da mentira retiramos a realidade.
Passamos os dedos pela pele sentindo-a arrepiar-se ao toque, reparamos que ainda sente. Não precisamos de mais dor para saber que estamos vivos. Não abandono o que sou só porque algo morreu, não rejeito o que senti só porque algo desapareceu, não rejeito o que sinto só porque o passado escorreu-me por entre os dedos.

Como água, como chuva, como lágrimas.

Mas tal com o passado me escorreu por entre os dedos, o presente também o fará. O presente transforma-se em passado, infelizmente ou felizmente tudo o que nós somos ou sentimos com o tempo a memória apaga. Mas parece que a minha mente é sobre humana, ou pretende sê-lo e não quer esquecer, não quer apagar e não quer deixar escorrer por entre os meus dedos as memórias.

Como água, como chuva, como lágrimas.

Não me deixo ir abaixo pelas mentiras, não me deixo ir abaixo pelo passado, não me deixo ir abaixo pelo o que sinto, não me deixo ir abaixo pela água, pela chuva ou pelas lágrimas. Creio que o que não me mata deixar-me-á mais forte.

Mais uma vez.

Eu sou humana.
Muito mais humana que vocês todos possam pensar ou imaginar.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

o que?

Veremos…
Não tenho nada a dizer, sinto-me algo… não sei, sinto um silêncio enorme a vir deste lugar. Como se uma cambada de reticências simplesmente invadissem este espaço e simplesmente ocupasse este cinzento tudo. É aborrecido, deprimente, nada como eu me sinto agora. Aliás, eu sinto-me sim deprimida por estar a escrever isto porque é simplesmente deprimente estar a escrever à cerca disto.
Pff, enfim, quero voltar a escrever, quero voltar a fotografar, quero experimentar novos modelos com os quais já falei, mas falta-me o tempo. Eu quero mesmo tirar fotografias, sinto falta da minha máquina, sinto falta…
Simplesmente sinto falta, e este clima de notas, de não ter tempo sequer para ter uma conversa decente com os meus melhores amigos, tempo para fotografar, para escrever algo de jeito. Dá-me cabo da cabeça.
Deprimente, pff.

Enfim, veremos, passa esta semana e a outra e provavelmente terei mais tempo. Ou não.
EU QUERO UM FIM DE SEMANA PARA PODER RESPIRAR FUNDO E ACIMA DE TUDO TIRAR FOTOS COMO DEVE DE SER!

domingo, 18 de Outubro de 2009

as coisas que se vêem num cemitério,

Hipócritas.

Somos todos hipócritas. Sem tirar nem pôr, dizemos coisas que pensamos que os outros deviam fazer mas quando acontece connosco não conseguimos ouvir os nossos próprios conselhos. Hipocrisia, sempre pensamos que tudo acontece aos outros e nunca a nós. Que os que são violados, roubados, mortos, são sempre os outros. Que pena, sentirei falta dos que partiram…bem perto do nosso coração algo nos sussurra…

“Antes eles do que eu.”


Não importa, por mais generoso que sejas, vais sempre pensarão isso. Primeiro eu e depois eles, eles que morram e eu que me salve. Eu tenho direito a tudo e dever de nada, eu faço o que quero de depois o que os outros querem. Eu tenho o poder de fazer. Eu tenho o poder de tudo.

Vermes.
Hipócritas.

Acabarão todos como o resto dos mortais, numa caixa de madeira para servirem de alimento para bichos da terra ou despedaçados pelas chamas deixando-os como meras cinzas. A verdade é essa, ninguém vive para sempre. Vivemos para morrer, e apenas são lembrados os que deixam marcas, e mesmo esses. As memórias vão se apagando. Quanto a mim e a ti, os teus e os meus filhos vão-se lembrar de ti, os netos também. Mas a partir disso, ninguém mais se lembrará de ti ou de mim, ninguém mais sentirá falta. Ninguém.

Serás apenas cinzas, apenas ossos, apenas meros vestígios.
Nada dura para sempre.

E a parte mas engraçada, é que todos nos enganamos uns aos outros.
Até eu aos outros, até os outros para mim.
Hipócrita, verme, larva.

Uma luz há-de aparecer. Tem de aparecer.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

IV

Não sei o nome mas também não interessa,

Começo por dizer nesta carta que eu não sou racista. Não tenho nada contra pessoas de cores diferentes da minha pele. Podem ser azuis, amarelas, cor de rosas às bolinhas douradas que não me interessava. Não é culpa vossa que sejam de cor diferente. Isto para dizer que não sou racista. Porque eu não sou, tenho primos inclusive de cor negra. Assim como tu. Mas sim, não interessa. Eu não sou racista mas também te digo que nunca vi um rapaz da minha cor a chegar-se perto de uma rapariga e meter-lhe a mão no bolso das calças para lhe tirar o telemóvel.
Agora vejamos, acontece que eu tenho menos alguns centímetros que tu, sou bastante mais nova, e sou bastante mais frágil e fraquinha que tu. Ou seja, isso faz de ti um cobarde de meia leca. Queres fazer merda? Muito bem, mas faz merda com gente do teu tamanho e com a tua força. Porque meteres-te com uma moça que nem força para levantar um peso consegue é simplesmente cobardia. Cobardia e da pior.
Então é assim, volto a repetir que não sou racista. Mas digo-te uma coisa, se queres roubar vai para o teu país. Não precisamos de mais pessoas com problemas aqui. Porque sim, a minha família trabalha para ter o que tem, e se trabalha não é para os outros. Apesar de ultimamente neste país parecer que sim. Querem vir para cá para melhorarem o estilo de vida? Tudo bem! Mas para roubar podem roubar no vosso país porque não precisamos de mais gente aqui!

E sim, a vontade que eu tenho agora é de: da próxima vez que te vir de te dar um tiro no meio dos olhos. Mereces ser atropelado por um camião. Devias ter vergonha, a tua mãe deve ter vergonha de te ter como filho. Que vergonha. Cobarde.

Espero que tenhas uma morte bem sofrida.

Okay, agora estou mais calma.
Uma morte lenta e dolorosa.
Shylo

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

sem palavras bonitas,

Hoje apresento-me aqui sem palavras bonitas, sem poesia, sem metáforas ou qualquer outra maneira de expressar algo. Apenas tenho algo a dizer neste momento de alguma raiva que não tem razão de ser. Mas eu apenas preciso de deitar isto para fora.

Eu odeio-te por ainda me fazeres sentir assim. Mas isto passa com o tempo.

É normal, eu creio. Okay, já passou e com o tempo vai ao lugar e eu volto a ser uma pessoa normalzinha e a tornar a ficar tudo igual ao que era antes. Acho que é só isto mesmo.

“ Às vezes olho para mim
Sem me encontrar, tento procurar
Mas estou sempre ausente.

É grande a dúvida no ar!
O caminho que tenho a seguir?
Será que estou diferente?

A vontade de curtir a vida
Aproveitar o dia a dia
Ver o mundo, sabe-lo sentir!

Como é que isto deu tudo errado?
Pois, não vou pra nenhum lado
E onde estou não é sitio pra mim!

Posso sempre acreditar
Que está tudo tão certo
Que nada me pode parar.

Posso sempre acreditar,
Que as ideias mais vagas
Terão sempre o seu lugar.

E agora os dias passam
Tento-me esquecer do que já fiz,
De andar sempre perdido.

A luta interna
De ter algo que fazer, poder sorrir
Só ganhar faz sentido.

A vontade de curtir a vida,
Aproveitar o dia a dia.
Ver o mundo, sabe-lo sentir.

Como é qu'isto deu tudo errado?
Pois não vou pra nenhum lado,
E onde estou não é sitio pra mim!

Posso sempre acreditar,
Que está tudo tão certo
Que nada me pode parar.

Posso sempre acreditar
Que as ideias mais vagas
Terão sempre o seu lugar.

Um conceito que me dê
Força de libertação,
Um sentido de viver
Uma razão.

Querer sempre acreditar,
Que por mais que possa errar
Espero sempre encontrar solução!
Quero sempre encontrar solução!

E hei-de sempre encontrar solução! "
[acreditar ( força de libertação), Tara Perdida]

e pronto já passou!